O MEDO E A ESPERANÇA


RESENHA: HOBBES: O medo e a esperança.


  Sabemos que Hobbes é um contratualista, quer dizer um daqueles filósofos que entre o século XVI e o XVII ( basicamente), afirmaram que a origem da sociedade e/ ou Estado está num contrato: ao homens viveriam, naturalmente, sem poder e sem organização – que somente surgiriam depois de um pacto firmado por eles, estabelecendo as regras do convívio social e da subordinação política.
 
Nesse Estado em que o poder é absoluto, a igualdade e a liberdade, valores respeitados por nós, tem segundo Hobbes, a capacidade de gerar entusiasmo, ambição, descontentamento e guerra. A igualdade, já vimos, é fator que leva a guerra de todos, pois dois homens podem querer a mesma coisa, e por isso todos nós vivemos em constante competição.

Liberdade para Hobbes, significa a ausência de oposição e não se aplica menos as criaturas irracionais e inanimadas do que as racionais.

Hobbes, começa reduzindo a liberdade a uma determinação física, aplicável a qualquer corpo, e como princípio pelo qual os homens lutam e morrem.

Tudo e todos na natureza tem o direito de ir mais além (como o rio que, se não tivesse os morros que o limitasse, invadiria muito mais espaços), e quando surge algum impedimento, o desejo de liberdade se torna uma obsessão e provoca conflitos.

"… Um homem livre é aquele que, naquelas coisas que graças a sua força de engenho é capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer." ( Pág. 67)

Quando o indivíduo abre mão de seu direito de natureza ele firma o contrato social e contribui para proteger a própria vida. Mas o indivíduo não perdeu a liberdade, ele deve obediência ao soberano, caso ele seja ordenado, por exemplo, para matar-se ou confessar algum crime, ele tem plena liberdade para recusar-se.

" Ninguém tem a liberdade de resistir a espada do Estado, em defesa de outrem, seja culpado ou inocente. Porque essa liberdade priva a soberania dos meios para proteger-nos, sendo portanto, destrutiva a própria essência do Estado."(Pág. 70)

O soberano não perde a soberania se não atende aos caprichos de cada súdito. Mas se ele deixa de proteger a vida de um de seus cidadãos, este não deve-lhe mais sujeição e obediência, porém outros não podem aliar-se a este, pois ainda recebem proteção. Em outras palavras podemos dizer que se o governante não cumpre a sua obrigação, o súdito recupera a sua liberdade natural.
 
 

COMENTÁRIO CRÍTICO
 

Para Hobbes, a liberdade e a igualdade desempenham um papel fundamental dentro da sociedade.

É evidente que são dois aspectos significativos, capazes de gerar muitos conflitos entre os homens que lutam para atingir um grau elevado de poder e conforto.

Do meu ponto de vista, os ideais de igualdade e liberdade não estão bem claros na compreensão humana, pois desejamos ser iguais ou superiores ao nosso semelhante em poder, inteligência, riqueza, status, e esse desejo gera competição, insatisfação, angústia e até mesmo guerras ( Ex: Revolução Francesa).

Já a liberdade, se for ilimitada impede que exista paz entre as pessoas de uma sociedade. Então falta nos distinguir a diferença entre liberdade e libertinagem, pois, para que tenhamos uma sociedade organizada precisamos respeitar a liberdade do outro, ou seja: " minha liberdade vai até onde começa a liberdade do outro".
 
 

O ESTADO, O MEDO E A LIBERDADE
 

Hobbes diz: o soberano governa pelo temor que infringe a seus súditos.

"Porque sem medo, ninguém abriria mão de toda a liberdade que tem naturalmente; se não temesse a morte violenta, que homem renunciaria ao direito que possui ,por natureza, a todos os bens e corpos?" ( Pág. 71)

A condição do súdito parece miserável e o terror é que controla as suas atitudes. Mesmo que a forma de governar mude, o poder é sempre o mesmo, seja na Monarquia, seja na Democracia.

Mas, sabemos que sem o poder controlador, nos destruiríamos a nós mesmos, levados pela nossa ganância e ambição incontrolável.

"O Estado não é produto apenas do medo à morte – se entramos no estado é também como uma esperança de ter vida melhor e mais confortável.

O conforto deve-se ,em grande parte, a propriedade. A sociedade burguesa que no tempo de Hobbes, já luta para se afirmar, estabelece a autonomia do proprietário para fazer o que bem entenda."( Pág. 72)

Para Hobbes a lei é fundamental para que exista justiça entre o que "é meu" e o que "é teu". Seria impossível alguém deixar uma herança para seus descendentes, pois qualquer cidadão poderia apossar-se de suas propriedades. Portanto: todos os súditos que tenham o direito a propriedade de suas terras ou seus bens, podem excluir os outros súditos dessas terras ou bens. Mas não de excluir o governante.

" Compete ao soberano, a distribuição das terras do país, assim como a decisão sobre em que lugares, e com que mercadorias, os súditos estão autorizados a manter tráfico com o estrangeiro". ( Pág. 75)
 

COMENTÁRIO CRÍTICO

Não acredito que um súdito obedeça a seu soberano apenas por medo de um castigo ou de morte violenta. Acredito sim, que ele o respeita e respeita as suas regras para garantir sua própria segurança, de seus familiares, de suas propriedades, terras e bens materiais.

Nenhum homem por mais rebelde, ambicioso ou egoísta que possa ser, não colocaria sua vida em risco para ter novamente a liberdade natural que lhe concede todos os direitos, pois esta liberdade pode permitir que ele faça tudo o que tem vontade, mas não lhe dá proteção e paz.
 
 

UM PENSADOR MALDITO
 

E aqui podemos entender porque Hobbes e Maquiavél e em certas medida Rosseau, um dos pensadores mais "malditos" da História da Filosofia Política – pois, no século XVIII, o termo "hobbista" era quase tão ofensivo quanto " maquiavélico", não só porque apresenta o Estado como monstruoso e o homem como belicoso, porque subordina a religião a política, mas porque, nega um direito natural ou sagrado do indivíduo à sua propriedade.

"Mas como só vivemos em sociedade devido ao contrato social, somos nós autores da sociedade e do estado, e podemos conhecê-los tão bem quanto as figuras geométricas.

O contrato produz dois resultados importantes:


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