" … O homem natural
de Hobbes não é um selvagem. É o mesmo homem que vive
em sociedade. Melhor dizendo, a natureza do homem não muda conforme
o tempo, ou a história, ou a vida social."
(Pág. 54)
Pois a natureza do homem é tal que, embora sejam capazes de reconhecer em muitos outros maior inteligência, maior eloquência ou maior saber, dificilmente acreditam que haja, muitos tão sábios como eles próprios; porque vêem sua sabedoria bem de perto e a dos outros a distância.
"… todo o homem é opaco aos olhos do seu semelhante". ( Pág. 55)
A semelhança que existe entre os homens se constitui em rivalidade, pois cada sr que parecer superior em poder, inteligência e valor ao seu semelhante, e este por sua vez, também deseja o mesmo. Como ambos tem um desejo em comum, duas atitudes são de defesa e ataque, onde cada qual espera receber o devido respeito que julga merecer, causando ao outro dano.
Sendo assim os homens viveriam em constante perigo, pois quem possui mais bens materiais que os outros, sente- se ameaçado de privação das suas conquistas: bens, liberdade, conforto, enquanto que o outro, o invasor, teme ser apanhado
Na natureza do homem, encontramos 3 causas principais de discórdia: primeiro a competição, segundo a desconfiança ; e terceiro a glória.
" A primeira leva o homem a atacar os outros tendo em vista o lucro; a segunda , a segurança e a terceira, a reputação." (Pág.56)
Portanto sem um poder comum, os homens viveriam em constante guerra, uns contra os outros.
" Para Aristóteles, o homem naturalmente vive em sociedade, e só desenvolve as suas potencialidades dentro do estado" ( Pág. 57)
Mas se o homem é sociável, parece estranho que ele tenha a capacidade de atacar e destruir ao outro. Na verdade o homem não conhece a si próprio.
Para Hobbes, um homem
pode conhecer o seu semelhante lendo as suas ações, e fará
o possível para não encontrar o mesmo em si próprio,
pois julga- se melhor, mais perfeito e mais importante. Mas se este homem,
deseja governar seus semelhantes ele deverá ler, antes de tudo,
a si mesmo, para compreender as suas atitudes.
COMENTÁRIO
CRÍTICO
A teoria de Hobbes
se fundamenta na realidade e na natureza do homem. O homem não vive
em sociedade sem leis e regras que limitem seus desejos e atitudes. Sem
isso, nenhum cidadão poderia viver em segurança ou em harmonia
com o seu semelhante, porém, para Hobbes, o homem é um selvagem,
mas se realmente fosse, ele não teria a capacidade de se reunir
em assembléia em um determinados momento em que julgasse necessário
para escolher um chefe que os protegesse e estabelecer regras que os organizasse.
COMO POR TERMO
A ESSE CONFLITO
" O indivíduo hobbesiano não almeja tanto os bens ( como julga Macpherson ), mas a honra" ( Pág. 59)
O homem hobbesiano, então produz riquezas para ter maior valor, maior status, maior respeito. Para ele, a honra é o valor atribuído a alguém pelas sua aparências externas.
Se os homens possuírem a liberdade de usar seu próprio poder, ter direito a todas as coisas, até mesmo os corpos dos outros ninguém estará em segurança, não haverá paz, e as pessoas não viveriam o tempo necessário que a natureza lhes permite..
Para haver paz é necessário que os homens renunciem ao seu direito.
" Que um homem concorde, quando os outros também o façam, e na medida em que tal considere necessário para a paz e para a defesa de si mesmo, em renunciar o seu direito a todas as coisas, contentando-se, em relação aos outros homens, com a mesma liberdade que aos outros homens permite em relação ao mesmo." ( Pág. 60)
mas não basta o fundamento jurídico. É preciso que exista um Estado dotado de espada, armado, para forçar os homens ao respeito, com plenos poderes para que possa resolver todas as pendências e arbitrar qualquer decisão. Uma pessoa que defenda a nação de ataques estrangeiros, que estabeleça a paz e a ordem entre os homens.
"… Porque, se há governo, é justamente para que vivamos em paz: sem governo, já vimos, nós nos matamos uns aos outros. Por isso o poder governante tem que ser ilimitado." (Pág. 63.
O Estado se constitui quando os homens em assembléia entram em um acordo, que uma determinada pessoa seja representante de todas eles, até mesmo de quem não o elegeu.
A esta pessoa fica
garantido o direito de soberania e se alguém desobedecê-lo
ou ameaçar seu poder ou sua vida e for morto, será o autor
do seu próprio castigo.
COMENTÁRIO
CRÍTICO
Hobbes diz que é necessário um estado dotado de força, autoridade, espada, armado para forçar os homens ao respeito.
Não concordo
com esta colocação. O homem necessita sim, de regras para
viver harmoniosamente em sociedade, mas não de armas, pois ele é
um ser racional, com a capacidade de compreender e assimilar regras e valores
morais e não um " monstro" rebelde e incontrolável.
Liberdade para Hobbes, significa a ausência de oposição e não se aplica menos as criaturas irracionais e inanimadas do que as racionais.
Hobbes, começa reduzindo a liberdade a uma determinação física, aplicável a qualquer corpo, e como princípio pelo qual os homens lutam e morrem.
Tudo e todos na natureza tem o direito de ir mais além (como o rio que, se não tivesse os morros que o limitasse, invadiria muito mais espaços), e quando surge algum impedimento, o desejo de liberdade se torna uma obsessão e provoca conflitos.
"… Um homem livre é aquele que, naquelas coisas que graças a sua força de engenho é capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer." ( Pág. 67)
Quando o indivíduo abre mão de seu direito de natureza ele firma o contrato social e contribui para proteger a própria vida. Mas o indivíduo não perdeu a liberdade, ele deve obediência ao soberano, caso ele seja ordenado, por exemplo, para matar-se ou confessar algum crime, ele tem plena liberdade para recusar-se.
" Ninguém tem a liberdade de resistir a espada do Estado, em defesa de outrem, seja culpado ou inocente. Porque essa liberdade priva a soberania dos meios para proteger-nos, sendo portanto, destrutiva a própria essência do Estado."(Pág. 70)
O soberano não
perde a soberania se não atende aos caprichos de cada súdito.
Mas se ele deixa de proteger a vida de um de seus cidadãos, este
não deve-lhe mais sujeição e obediência, porém
outros não podem aliar-se a este, pois ainda recebem proteção.
Em outras palavras podemos dizer que se o governante não cumpre
a sua obrigação, o súdito recupera a sua liberdade
natural.
COMENTÁRIO
CRÍTICO
Para Hobbes, a liberdade e a igualdade desempenham um papel fundamental dentro da sociedade.
É evidente que são dois aspectos significativos, capazes de gerar muitos conflitos entre os homens que lutam para atingir um grau elevado de poder e conforto.
Do meu ponto de vista, os ideais de igualdade e liberdade não estão bem claros na compreensão humana, pois desejamos ser iguais ou superiores ao nosso semelhante em poder, inteligência, riqueza, status, e esse desejo gera competição, insatisfação, angústia e até mesmo guerras ( Ex: Revolução Francesa).
Já a liberdade,
se for ilimitada impede que exista paz entre as pessoas de uma sociedade.
Então falta nos distinguir a diferença entre liberdade e
libertinagem, pois, para que tenhamos uma sociedade organizada precisamos
respeitar a liberdade do outro, ou seja: " minha liberdade vai até
onde começa a liberdade do outro".
O ESTADO, O
MEDO E A LIBERDADE
Hobbes diz: o soberano governa pelo temor que infringe a seus súditos.
"Porque sem medo, ninguém abriria mão de toda a liberdade que tem naturalmente; se não temesse a morte violenta, que homem renunciaria ao direito que possui ,por natureza, a todos os bens e corpos?" ( Pág. 71)
A condição do súdito parece miserável e o terror é que controla as suas atitudes. Mesmo que a forma de governar mude, o poder é sempre o mesmo, seja na Monarquia, seja na Democracia.
Mas, sabemos que sem o poder controlador, nos destruiríamos a nós mesmos, levados pela nossa ganância e ambição incontrolável.
"O Estado não é produto apenas do medo à morte – se entramos no estado é também como uma esperança de ter vida melhor e mais confortável.
O conforto deve-se ,em grande parte, a propriedade. A sociedade burguesa que no tempo de Hobbes, já luta para se afirmar, estabelece a autonomia do proprietário para fazer o que bem entenda."( Pág. 72)
Para Hobbes a lei é fundamental para que exista justiça entre o que "é meu" e o que "é teu". Seria impossível alguém deixar uma herança para seus descendentes, pois qualquer cidadão poderia apossar-se de suas propriedades. Portanto: todos os súditos que tenham o direito a propriedade de suas terras ou seus bens, podem excluir os outros súditos dessas terras ou bens. Mas não de excluir o governante.
" Compete ao soberano,
a distribuição das terras do país, assim como a decisão
sobre em que lugares, e com que mercadorias, os súditos estão
autorizados a manter tráfico com o estrangeiro". ( Pág. 75)
COMENTÁRIO CRÍTICO
Não acredito que um súdito obedeça a seu soberano apenas por medo de um castigo ou de morte violenta. Acredito sim, que ele o respeita e respeita as suas regras para garantir sua própria segurança, de seus familiares, de suas propriedades, terras e bens materiais.
Nenhum homem por
mais rebelde, ambicioso ou egoísta que possa ser, não colocaria
sua vida em risco para ter novamente a liberdade natural que lhe concede
todos os direitos, pois esta liberdade pode permitir que ele faça
tudo o que tem vontade, mas não lhe dá proteção
e paz.
UM PENSADOR
MALDITO
E aqui podemos entender porque Hobbes e Maquiavél e em certas medida Rosseau, um dos pensadores mais "malditos" da História da Filosofia Política – pois, no século XVIII, o termo "hobbista" era quase tão ofensivo quanto " maquiavélico", não só porque apresenta o Estado como monstruoso e o homem como belicoso, porque subordina a religião a política, mas porque, nega um direito natural ou sagrado do indivíduo à sua propriedade.
"Mas como só vivemos em sociedade devido ao contrato social, somos nós autores da sociedade e do estado, e podemos conhecê-los tão bem quanto as figuras geométricas.
O contrato produz dois resultados importantes:
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